Uso das preposições no Esperanto

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Uso das preposições

Em Esperanto, as preposições têm sentidos bem definidos, o que, naturalmente, torna o seu uso muito mais fácil do que nas línguas modernas. Assim, por exemplo, tanto “sur” como “pri” equivalem ao nosso “sobre” – mas “sur” é “sobre” no sentido da locução prepositiva “em cima de”; e “pri” é “sobre” no sentido da locução prepositiva “a respeito de”.

Exs.: “La oratoro parolis sur buso” – o orador falou sobre (isto é: em cima de) um ônibus; – “La oratoro parolis pri buso” – o orador falou sobre (isto é: a respeito de) um ônibus.

Preposições antes de infinitivo

Em Esperanto, normalmente, apenas três preposições são usadas antes de verbo no infinitivo, ou seja: anstataŭ (em vez de), krom (além de) e “por” (para). Exs.: “Mi laboris anstataŭ studi” – Eu trabalhei em vez de estudar; – “Mi laboris krom studi” – Eu trabalhei além de estudar; – “Mi laboris por studi” – Eu trabalhei para estudar. Atualmente também se usa “sen” (sem) antes de infinitivo, principalmente para enfatizar surpresa. Ex.: “Li eniris sen saluti” – Ele entrou sem cumprimentar.

Assim, não se traduzem para o Esperanto as nossas preposições “a”, “de” e “em” quando aparecem antes de infinitivo. Ex.: “Mi komencis labori” – Eu comecei a trabalhar; – “Ne ĉesu labori!” – Não cesse de trabalhar!; – “Mi havas grandan plezuron koni vin!” – Eu tenho um grande prazer em conhecer você.

Antes do infinitivo, usa-se também, a locução conjuntiva “antaŭ ol” – antes de (literalmente: “antes do que”). Ex.: “Antaŭ ol eliri, mi manĝis”Antes de sair, eu comi.

Sufixo “Uj”

A rigor, este sufixo tem três usos (similares), ou seja: a) indica recipiente total (como vasilha, caixa, etc.) ex.: salo – sal, salujo – saleiro; b) indica a árvore em relação aos frutos, ex.: mango – manga, mangujo – mangueira; c) indica países (do “Velho Mundo”), cujos povos já existiam antes de se organizarem oficialmente em países, como os anglos, francos, germanos, etc.

Exs.: anglo – inglês, anglujo – Inglaterra. Modernamente, prefere-se, em geral, restringir o seu uso ao sentido básico (de “vasilha”), usando-se, então, “arbo” (árvore) para o segundo caso, e usando-se a terminação “io” para os países. Exs.: mangarbo – mangueira, anglio – Inglaterra. No caso de rozo (rosa), pode-se dizer: rozarbeto – roseira.

O feminino do habitante é indicado, naturalmente, com “ino”. Exs.: anglino – (uma) inglesa, brazilanino – (uma) brasileira, etc.

Preposições

Em Esperanto, as preposições têm sentidos bem definidos, o que naturalmente torna o seu uso mais fácil do que nas línguas naturais modernas.

Para usar bem as preposições do Esperanto, basta – em geral – observar as locuções prepositivas (do português) que indicam os seus verdadeiros “sentidos básicos”. Exs.: En – em (dentro de), Pri – sobre (a respeito de), Sur – sobre (em cima de); etc.

Assim, uma frase como “Eu pensei em você” não deverá ser traduzida por “Mi pensis en vi”, pois o sentido real seria absurdo (ou seja: Eu pensei “dentro de” você). Neste caso, a forma correta será “Mi pensis pri vi” – Eu pensei em você (literalmente: Eu pensei sobre você – ou seja: Eu pensei “a respeito de” você).

Mas, embora mais lógico, o sistema do Esperanto não é demasiado rígido. Assim, a preposição “Al” (a, para) tem o “sentido básico” da locução prepositiva “em direção a”, o que fica bem claro numa frase como: “Mi iros al Parizo” – Eu irei a Paris (literalmente: Eu irei “em direção a” Paris). Mas, numa frase como: “Li donis libron al la knabo” (Ele deu um livro ao menino), o sentido literal pode parecer um tanto quanto “forçado” – mas não chega a ser absurdo (ou seja: Ele deu um livro “em direção ao” menino).

Uso da preposição “je”

Como já sabemos, a preposição “Je” (a, de, em) é indefinida, sendo usada (raramente) apenas quando nenhuma outra for adequada. Na prática, quase só é usada para referir-se às horas. Ex.: “Mi vekiĝas je la 6-a” – Eu acordo às 6 (literalmente: à 6ª).

Para ter certeza que nenhuma outra preposição seria adequada, basta – em geral – substituí-las (mentalmente) pelas “locuções prepositivas” correspondentes. Assim, no caso acima, se disséssemos, por exemplo: “Mi vekiĝas al la 6-a”, o sentido real dessa frase seria absurdo (ou seja: Eu acordo “em direção a” 6ª).

Preposições

A palavra utilizada para expressar relação de sentido entre duas ideias é a preposição, que tem este nome, pois é colocada numa posição antes da palavra que é regida (comandada) pela palavra regente (que comanda).

A preposição é muito importante, pois evita que a língua se torne uma “colcha de retalhos”. Veja expressão abaixo: LIBRO PETRO (regente + regido)

Em muitas línguas, bastaria juntar as duas ideias para estabelecer a relação de posse entre LIBRO e PETRO. Entretanto, devemos sempre lembrar que o Esperanto é uma língua internacional e, por isso, se ajusta ao pensamento mais global possível entre os falantes de todas as línguas humanas.

Por isso, usa-se uma palavra para ligar ambas as ideias: DE

Libro DE Petro (Livro de Pedro)

Observação: As preposições, em Esperanto não variam, ou seja, não sofrem mudanças. São escritas, sempre, da mesma forma.

Outros exemplos:

MI LOĜAS BRAZILO (regente + regido)

Precisamos de uma palavra para ligar a ideia regente (MI LOĜAS) à ideia regida (BRAZILO), estabelecendo relação de lugar. Nessa frase usamos: EN.

Mi loĝas EN Brazilo (Eu moro NO Brasil)

Mais um exemplo:

MI VOJAĜOS BRAZILO (regente + regido)

Precisamos de uma palavra para ligar a ideia regente (MI VOJAĜOS) à ideia regida (BRAZILO), estabelecendo relação de direção. Nesta frase usamos: AL.

Mi vojaĝos AL Brazilo (Eu viajarei AO Brasil)

Ainda outro exemplo:

MI SKRIBAS LA KRAJONO (regente + regido)

Precisamos de uma palavra para ligar a ideia regente (MI SKRIBAS) à ideia regida (LA KRAJONO), estabelecendo relação de instrumento. Nesta frase, usaremos: PER.

Mi skribas PER la krajono (Eu escrevo com o lápis)

Lembra-se quando falamos sobre o acusativo (a letra N)? Perceba que nenhuma ideia que vem depois da preposição usa a letra N, pois as palavras que a seguem estão no nominativo, portanto, sem a letra N!

O sentido das preposições em Esperanto e claro e preciso. Numa frase em português, como “O orador falou sobre um ônibus”, é possível uma incompreensão. Pode-se entender que ele falou a respeito de um ônibus ou que ele teve que subir em um ônibus para falar. Esta ambiguidade é resolvida da seguinte forma:

La oratoro parolis PRI buso (O orador falou SOBRE um ônibus = a respeito do ônibus)

La oratoro parolis SUR buso (O orador falou SOBRE um ônibus = ele subiu em um ônibus)

Outra frase ambígua: “EU pensei em você”. O sentido da preposição EM, em português, é de “sobre”, “a respeito de”. Se a ideia for traduzida ao pé da letra, ou seja, de maneira literal, será usada a preposição EN (em, dentro de). Ela é inadequada, pois não dará o sentido necessário ao entendimento da frase. O correto é:

Mi pensis PRI vi (Eu pensei EM você = literalmente, Eu pensei SOBRE você; Eu pensei a respeito de você)

Preposição Indefinida

Segundo a Regra de Preposição, elas são palavras que ligam dois termos: a ideia que comanda (regente) é ligada à ideia comandada (regida) por uma palavra “pré-posicionada” antes dela:

LIBRO DE PETRO (regente + preposição + regida)

O sentido das preposições, em Esperanto é bastante preciso e promove a clareza da transmissão das informações. Vejamos as frases em português:

Eu passeio COM meu filho.
Eu escrevo COM um lápis.

As duas frases têm a preposição “com”. Porém, seus significados são diferentes, gerando para cada frase um sentido. Na primeira, “com” indica companhia. Na segunda, “com” localiza-se diante do instrumento usado para fazer  determinada tarefa. Tais frases são assim traduzidas:

Mi promenas KUN mia filo (Eu passeio COM meu filho)

Mi skribas PER krajono (Eu escrevo COM um lápis)

Está clara a relação de sentido, pois as preposições KUN e PER indicam, respectivamente, companhia e instrumento. Esta lógica não prevalece em português, no qual uma preposição como “de”tem um uso muito vasto, já que pode indicar posse, composição, quantidade e causa, entre outras coisas:

Casa de Maria (a casa pertence à Maria)
Mesa de madeira (a mesa é feita de madeira)
Grupo de pessoas (o grupo contém pessoas)
Chorar de dor (o choro ocorre em razão da dor)

Para cada caso, a preposição utilizada em Esperanto é adequada para ligar ambas as ideias:

Domo DE Maria = Casa de Maria (a casa pertence à Maria)

Tablo EL ligno = Mesa de madeira (a mesa é feita de madeira)

Grupo DA personoj = Grupo de pessoas (o grupo contém pessoas)

Plori PRO doloro = Chorar de dor (o choro ocorre em razão da dor)

Caso alguma preposição não possa expressar a relação de sentido de maneira tão precisa, o Esperanto possui uma espécie de “coringa linguístico”. Uma preposição que não tem significado próprio (preposição indefinida), mas dá conta do sentido, que outra preposição não pode expressar: JE.

Ele crê em Deus.

Na tradução da frase, não se pode usar a preposição “EN” (em, dentro de). Não faz sentido dizer “Mi kredas EN Dio”. Como não há outra preposição adequada, a frase é traduzida por:

Mi kredas JE Dio (Eu creio EM Deus)

Outro exemplo:

Conto com você.

Este “com” não expressa companhia, nem instrumento. O sentido da frase é o de contar com seu apoio, seu incentivo. Não faz sentido, portanto, traduzi-la por “Mi kalkulas KUN vi” ou “Mi kalkulas PER vi“, mas sim por:

Mi kalkulas JE vi (Conto com você)

Observação: Apesar da preposição em questão ser indefinida, por não ter um significado próprio, ela possui múltiplos significados, dependendo da frase que é utilizada, e só pode ser usada quando NENHUMA das preposições for adequada. Assim, não faz sentido dizer: Domo JE Maria.

Sabemos que a preposição adequada é DE, que estabelece perfeitamente a relação de sentido entre ambas as ideias, ocasionando a tradução: Domo DE Maria.

Portanto:

Quando nenhuma preposição for adequada, pode-se usar a preposição indefinida JE:

A preposição JE tem alguns usos mais pontuais. Por exemplo, para expressar horas:

A que horas vocês vão se encontrar?

Nesta frase, não há uma palavra para expressar o sentido da palavra “a”. Seria estranho dizer, por exemplo:

* Al kioma horo vi renkontiĝos?

A palavra AL (a, para) expressa direção, mas seria inadequada nessa frase, pois não seria capaz de fazer a devida relação do sentido das ideias. Tradução adequada:

JE kioma horo vi renkontiĝos? (A que horas vocês vão se encontrar?)

Resposta possível:

JE la tria horo (Às três horas)

O JE também pode expressar datas:

JE la dudek-sesa de junio du mil dek tri (Em vinte e seis de junho de 2013)

Se não desejarmos utilizar a preposição, podemos omiti-la, colocando em seu lugar a letra N do acusativo na palavra ou expressão que vem após a preposição JE:

JE kioma horo vi renkontiĝos? = KIOMAN HORON vi renkontiĝos?
(A que horas vocês vão se encontrar?)

JE la tria horo = La TRIAN HORON (Às três horas)

JE la dudek-sesa de junio du mil dek tri = La DUDEK-SESAN de junio du mil dek tri.
(EM vinte e seis de junho de 2013)

Este acusativo, portanto, pode ser usado para substituir a preposição a fim de atingir precisamente o ALVO da palavra que a segue.

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