10 erros gramaticais que fazem muita gente passar vergonha

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A Língua Portuguesa é complexa, isso é inegável. São muitas regras (e exceções) para decorar, muitos tempos verbais para conjugar e assim por diante. Mas alguns erros são gravíssimos e assustam por demonstrarem total desconhecimento do idioma (algo que usamos “apenas” todos os dias).

Ninguém está livre de cometer erros gramaticais, mesmo com os corretores automáticos dos computadores e smartphones, mas você sabe quais são os erros de português mais graves e que, mesmo assim, muita gente comete?

Selecionamos aqui 10 erros gramaticais mais comuns. Eles estão nas redes sociais e, pasmem, em ambientes corporativos e acadêmicos também. Confira cada um e preste atenção para não prejudicar sua reputação cometendo esses deslizes, seja na vida pessoal ou profissional. Afinal, a qualidade do texto diz muito sobre a cultura geral de uma pessoa.

1. Mais ou Mas

Mais ou mas é uma dúvida bem comum e que muitas pessoas insistem em errar na hora de escrever certo.

Errado: Quero acordar cedo, mais durmo tarde todos os dias.

Correto: Quero acordar cedo, mas durmo tarde todos os dias.

Explicação: Mas, sem i, é uma palavra usada principalmente como conjunção adversativa e possui o mesmo valor que porém, contudo e todavia. Transmite uma ideia de oposição ou limitação, como no exemplo acima.

Mais, com i, é uma palavra usada principalmente como advérbio de intensidade, transmitindo uma noção de quantidade ou intensidade maiores, ou como conjunção aditiva, transmitindo uma noção de adição e acréscimo. Tem sentido oposto a menos.

Exemplos: Aquele vinho é o mais caro do mercado./ Cinco mais três são oito.

2. Porques

Porque ou Por que
Porque ou por que. Junto ou separado? Veja a resposta correta abaixo.

Errado: Não a encontrei ontem por que fui malhar em horário diferente.

Correto: Não a encontrei ontem porque fui malhar em horário diferente.

Explicação: Porque, junto e sem acento, é uma conjunção e serve para ligar duas ideias, duas orações. É usado quando a segunda parte apresenta uma explicação ou causa em relação à primeira.

Já a forma por que, separado e sem acento, é um advérbio interrogativo de causa e é usada quando pedimos por uma causa ou motivo, não necessariamente em uma frase que termine com ponto de interrogação.

Dica: Se tiver dúvida, substitua o por que da frase por “para que”, “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, “pelas quais” ou inclua a palavra “razão” logo depois.

Exemplo: Este é o caminho por que (pelo qual) passamos. / Não sei por que (razão) ele desistiu de tudo.

Porquê ou Por quê

Porque ou por que. E agora com o acento? É junto ou separado? Veja a resposta correta abaixo.

Errado: Ela se demitiu, não sei porquê.

Correto: Ela se demitiu, não sei por quê. / Ela se demitiu, não sei o porquê.

Explicação: Porquê, junto e com acento, substitui as palavras razão, causa ou motivo. É um substantivo e, como tal, tem plural e pode vir acompanhado por artigos, pronomes e adjetivos. A palavra geralmente é antecedida de artigo “o” ou “um”.

Use a expressão por quê, separado e com acento, quando ela estiver no fim da frase, seja pergunta ou não.

Exemplos: Não aprovaram a proposta e não sabemos por quê./ Não temos o resultado da concorrência. Por quê?

3. Agente ou A gente

Agente ou a gente? O serviço secreto não é o mesmo que nós. ?

Errado: Agente vai almoçar no restaurante da esquina hoje.

Correto: A gente vai almoçar no restaurante da esquina hoje.

Explicação: A gente é uma locução que equivale à palavra nós e deve ser conjugada na terceira pessoa do singular, como na frase acima.

Agente é um substantivo comum e se refere à profissão de alguém. É aquele que age, que exerce alguma ação.

Exemplo: James Bond é o agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico. /Concurso oferece vagas para agente da polícia federal.

4. Voçê ou Você

Voçê ou você? A diferença é pequena, mas o erro é grande.

Errado: Voçê foi ótimo hoje!

Correto: Você foi ótimo hoje!

Explicação: O uso da cedilha pode causar confusão por ser foneticamente igual ao C, porém, existe uma regra primordial que pode amenizar essa confusão: não se usa cedilha antes das vogais I e E.

5. Para mim ou Para eu

Para mim ou para eu? Veja quando usar o “mim”, o famoso pronome pessoal oblíquo tônico.

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Errado: Veja se tem algum erro para mim corrigir.

Correto: Veja se tem algum erro para eu corrigir.

Explicação: Eu é um pronome pessoal reto, devendo ser utilizado quando assume a função de sujeito. Assim, para eu deve ser usado sempre que se referir ao sujeito da frase e for seguido de um verbo no infinitivo que indique uma ação.

Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico, sendo utilizado quando assume a função de objeto indireto, devendo estar sempre precedido por uma preposição. Dessa forma, para mim deve ser usado quando for complemento de um verbo transitivo indireto.

Exemplo: Você trouxe a roupa para mim? / Pensei que esse embrulho tivesse chegado para mim.

6. Menos ou Menas

Menos ou menas? Esse é um dos erros ortográficos e gramatical mais bizarro nessa lista.

Errado: Hoje fiquei menas cansada que ontem.

Correto: Hoje fiquei menos cansada que ontem.

Explicação: Menas é uma palavra que não existe na língua portuguesa. A única forma correta de escrita é menos, e em geral se opõe a mais.

Sempre que nos referirmos a algo ou alguém em menor número, menor quantidade, ou em uma posição inferior, devemos utilizar a palavra menos. É correto dizer: menos vezes, menos vestidos, menos cerveja, menos calorias, a menos.

7. Meio ou Meia

Meio ou meia? Cuidado para não perder suas meias nessa dúvida…

Errado: Ela ficou meia chateada depois da conversa.

Correto: Ela ficou meio chateada depois da conversa.

Explicação: Meio pode ser advérbio de intensidade e numeral fracionário e é aí que surge a confusão. Como advérbio, tem sentido de “um pouco” e se apresenta vinculado a um adjetivo, não varia: meio cansada, meio distraído, meio metida, meio maluco.

Como numeral, virá vinculado a um substantivo e concorda com o gênero (feminino e masculino): meio litro, meia xícara, meio pote, meia hora.

8. A fim ou Afim

A fim ou afim? Veja a resposta correta abaixo.

Errado: Ele está muito afim da minha prima.

Correto: Ele está muito a fim da minha prima.

Explicação: As locuções a fim de e a fim de que exprimem ideia de finalidade e podem ser substituídas por para e para que, respectivamente.

Exemplos: Fez de tudo a fim de (para) nos convencer da sua inocência./ Os pais economizaram durante anos a fim de (para que) que o filho estudasse no exterior.

Ainda se usa a locução a fim de no sentido de “com a intenção de”, “com vontade de”.

Exemplo: Não estava a fim de conhecer pessoas naquele dia. (não tinha vontade de conhecer, não tinha intenção de conhecer)

Na linguagem informal, “estar a fim de alguém” é ter interesse afetivo pela pessoa, como no primeiro exemplo.

O adjetivo afim é empregado para indicar que uma coisa ou pessoa tem afinidade com a outra. Na maior parte das vezes, o adjetivo aparece no plural. Exemplo: Os dois tinham ideias afins (parecidas).

9. Nada a ver ou Nada haver

Nada a ver ou nada haver? Qual pode causar um erro gramatical?

Errado: Esse tipo de música não tem nada haver comigo.

Correto: Esse tipo de música não tem nada a ver comigo.

Explicação: O verbo haver está frequentemente associado a existir, por isso, é comum que algumas pessoas achem que uma coisa não coexiste com outra e utilizam nada haver.

Nada a ver é a forma correta de escrita desta expressão e é a forma negativa da expressão ter a ver. Sinônimos: não ter relação com, não corresponder, não dizer respeito a.

Obs.: Existe a expressão não ter nada a haver. Embora pouco usada, significa não ter nada a receber, nada a reaver, referindo-se ao ato de não ter quantias monetárias para serem recebidas.

Exemplo: Já não tenho nada a haver de meus clientes.

10. Senão ou Se não

Senão ou se não? Junto ou separado? Ambos podem estar corretos?

Errado: Senão estudar, não irá tirar boas notas.

Correto: Se não estudar, não irá tirar boas notas.

Explicação: Para dar a ideia de caso não estude, como no exemplo acima, o certo é utilizar a forma separada. Perceba que é possível encaixar um pronome reto (sujeito) entre o se e o não: Se ele não, não irá tirar boas notas. Faça o mesmo quando tiver dúvida.

Senão, em uma só palavra, tem vários significados: de outra forma, mais do que, do contrário, aliás, a não ser, menos, com exceção de, mas, mas sim, mas também, defeito, erro, de repente, subitamente.

Exemplos: Devemos estudar, senão (do contrário) não iremos passar de ano./ Não lhe resta alternativa senão (a não ser) procurar por um médico.

Extra: Separar sujeito e predicado!

Errado: O resultado do jogo, não o abateu.

Correto: O resultado do jogo não o abateu.

Explicação: O sujeito da frase – substantivo que pode ser substituído por um pronome pessoal reto (eu, tu, ele, nós…) – não pode ser separado do verbo por vírgula.

Exceção: Quando o sujeito é oracional, permite-se o uso de vírgula. Exemplo: Quem ama cuida./Quem sabe ensina.

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