Para quem gosta de etimologia, a cana é um prato cheio. A palavra tem origem no grego kánna, que pode ter vindo do acadiano qanû. Kánna já era usada para designar algumas plantas herbáceas de caule cilíndrico.

Passando para o latim canna, a palavra derivou-se para uma gama de outras, todas relacionadas com a característica do tubo cilíndrico.

De cana, derivaram-se canal, canaleta, caneta, caniço, cano, cânula. O nome da árvore canela vem do francês cannelle, por causa do formato enrolado das suas cascas quando secas, como canos. Canelone em italiano é cannellone, que significa ‘canudo grosso’.

O gênero de plantas ‘Canna’, atualmente têm pelo menos dez espécies. A espécie-tipo é a cana-da-índia (‘Canna indica’), que da Índia não tem nada. A espécie crescia naturalmente no México e América Central e hoje é usada para ornamentação no mundo todo. O epíteto ‘indica’ (índica, da Índia) deve-se ao fato da América ter sido tratada como as Índias Ocidentais antigamente.

Daí, o botânico francês Antoine Laurent de Jussieu criou, em 1789, a família das Canáceas (Cannaceae), que possui apenas o gênero ‘Canna’. (São ótimos exemplos de flores assimétricas para as aulas de Botânica.)

Mesmo não tendo relação com o gênero ‘Canna’, uma variedade de espécies de vários gêneros, sem semelhança alguma, acabaram recebendo o epíteto ‘cana’ no nome comum, como a cana-de-jacaré, cana-de-vassoura, cana-do-mato, etc., e até a mais conhecida cana-de-açúcar (Saccharum officinarum).