Origo, em latim, abriga a ideia de nascimento, de causa e princípio. A origem é a fonte de onde jorra a realidade, e de onde nascem as histórias. Nos relatos de origem (originais) vejo surgir a compreensão que o ser humano tem sobre si mesmo e o mundo.

Origem” remete à raiz indo-europeia *ergh-, “pôr-se a caminho”, “levantar-se”. O que nos leva a uma relação longínqua entre “origem” e “orquestra“. Esta era um espaço no antigo teatro grego onde o coro fazia sua interpretação, de onde se erguiam vozes, narrando e comentando a ação.

Quando uma palavra nasce? Onde? É como uma voz que se ergue, um som que nasce das profundezas. Buscar as fontes da palavra, esse é o papel da etimologia. E a palavra que nasce, nasce num contexto, dentro de uma história, de uma narrativa. Em grego, parabolê é “comparação“, discurso em que há um sentido mais ou menos oculto. As parábolas de Cristo são o lugar da palavra que ensina, intriga, atrai, diverte, orienta e desperta.