“Meu pai não deixou eu sair”

Qual o erro da frase acima? O estudante atento deve ter percebido a presença de dois sujeitos, um para cada verbo apresentado. Quem não deixou? Meu pai. Quem sairá? Eu. Portanto, como os pronomes pessoais que funcionam como sujeito são eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, aparentemente, essa frase está certa.

No entanto, se observar mais atentamente, constatará que o pronome eu, aparentemente de novo, funciona como objeto direto do verbo deixar, pois eu fui deixado por meu pai. Aí está a complicação. Vamos, então, à solução:

O que ocorre é que eu não fui deixado por meu pai, mas sim a ação de sair é que não foi deixada. Se desenvolvermos a oração, teremos: “Meu pai não deixou que eu saísse.”

Portanto o objeto direto do verbo deixar é a oração, e não o pronome. Entretanto, ao reduzirmos a oração, como ocorre na frase apresentada, teremos o pronome de primeira pessoa ligado ao verbo deixar. Então ele deve ser transformado em pronome oblíquo átono _me.

Consequentemente a frase certa deverá ser:

“Meu pai não me deixou sair”

Isso ocorre, quando surgirem dois verbos no período: o primeiro, qualquer um dentre estes: fazer, mandar, ver, deixar, sentir, ouvir; o segundo, qualquer verbo no infinitivo ou no gerúndio.

O sujeito desse segundo verbo não pode ser pronome pessoal do caso reto, e sim pronome pessoal do caso oblíquo _me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.

E, para finalizar, esse sujeito recebe um nome especial: Sujeito acusativo.

Exemplos:
Fizeram-nas falar a verdade e não Fizeram elas falar a verdade.
Deixe-me ler suas poesias e não Deixa eu ler suas poesias.
Eu a vi conversando com Genésio e não Eu vi ela conversando com Genésio.