Ter fluência em vários idiomas é para poucos, mas é possível

Muitos estudantes (e professores, escolas) investem na ideia de memorizar palavras e frases, decorar regras verbais e gramaticais e praticar reações automáticas. Se você estuda outro idioma, essa receita pode soar familiar – e cansativa. A verdade é que esse processo pode até funcionar, mas nos deixa desmotivados em pouco tempo.

Deixar de ser obsessivo com as questões gramaticais e mergulhar no universo cultural de cada idioma é o segredo dos mais bem sucedidos poliglotas. Eles dizem inclusive que “ganham uma nova identidade” para cada idioma aprendido.

Semântica Cultural

Se tem uma coisa que muitos desses poliglotas gostam de falar, é da tal “semântica cultural”, um termo que pode parecer novo para algumas pessoas, mas cuja definição é simples de ser compreendida.

Semântica cultural é basicamente o que nos faz criar uma conexão verdadeira com uma nova cultura, é aprender o que ela tem a oferecer além da linguagem.

Pense no próprio Brasil como exemplo. Nosso país é imenso, e dentro dele há regionalismos característicos. Não apenas o sotaque nordestino é diferente do paulista, como facilmente reparamos que expressões e gírias cariocas não são as mesmas que as paranaenses, por exemplo.

Aprender um novo idioma é mergulhar na questão cultural que está impregnada no que os nativos de determinado idioma falam. É conseguir compreender algumas expressões, ainda que se saiba que elas não se traduzem literalmente. Isso é semântica cultural, e esse conceito ainda não é amplamente ensinado em escolas de idiomas, infelizmente.

Compreender a semântica cultural de um idioma é a melhor forma de se tornar fluente. Confira agora 5 dicas:

Aprenda questões culturais além do vocabulário

O idioma falado em um país é construído com base na cultura da região também, e se você fica preso somente às questões gramaticais e às traduções literais, vai ter dificuldade em se tornar fluente.

“Muitas palavras em uma linguagem são únicas e não podem ser traduzidas exatamente para outros idiomas”

Aprenda palavras que salvem você de situações constrangedoras

Em inglês, a falta do uso de algumas palavras pode significar que uma pessoa é rude ou mal-educada, o que a impedirá de causar uma boa impressão, obviamente.

Ainda falando da língua inglesa, vale frisar que, em países do Reino Unido, a falta do uso de palavras como “please” e “thank you” é vista como algo extremamente rude, enquanto no Brasil nem sempre pedimos por favor ou agradecemos – e nem por isso somos considerados rudes, especialmente se estivermos entre amigos.

Podemos citar outros termos que nem estão diretamente ligados a essa questão de educação, mas que são “amaciadores” em diálogos, e que devemos passar a usar com mais frequência na medida em que nos tornamos fluentes em inglês: a little bit (um pouco), really (realmente), probably (provavelmente), I think (eu acho) e as far as I know (até onde eu sei) são alguns exemplos.

Descubra como elogiar apropriadamente

A expressão “quite good” é entendida, pela maioria dos europeus, como um elogio – no caso de um jantar, por exemplo, dizer que estava “quite good” pode significar que a comida estava boa; agora se você diz isso na Inglaterra, a pessoa vai entender como “estava comível”.

Os britânicos costumam valorizar muito as pessoas que consideram “polite”, ou seja, aquelas realmente educadas, que sempre pensam antes de dizer alguma coisa.

Seja otimista

Não se trata do otimismo básico, que é aquele pensamento positivo a respeito dos mais diferentes aspectos da vida.

Trata-se daquele otimismo que está presente, inclusive, na língua inglesa, que tem o costume de substituir palavras negativas por versões mais neutras e positivas.

Como exemplo a palavra “problem” é muitas vezes substituída por versões mais neutras como “issue” (questão).

“A maioria das palavras em uma língua estrangeira revelam uma mentalidade específica, que é mais facilmente sentida quando você traduz de um idioma para o outro. Talvez você entenda a sensação quando a tradução se parece com a versão original”

Por que a decoreba não funciona

Decorar verbetes até pode ser uma saída, mas não para quem quer se tornar fluente de verdade em um novo idioma. O aprendizado de uma nova língua nada tem a ver com decorar vocábulos, sentenças prontas e se prender a regras gramaticais em cada fala.

Reforçamos a necessidade de mergulhar na cultura de cada lugar e de entender que algumas expressões não podem – nem devem – ser traduzidas literalmente.

“Não importa qual idioma você está aprendendo, permita que o pulsar de uma nova cultura corra por suas veias”

Você tem alguma grande dica para aprender um novo idioma? Comente.

Dicas de Balázs Csigi em The biggest secret to learning a new language, according to a CEO who speaks 7 (em inglês)