Modelo computacional montou árvore genealógica de 103 línguas e mostrou que elas teriam surgido de uma linguagem única na Anatólia há 9000 anos

Usando metodologias usadas para montar árvores genealógicas, biólogos disseram ter conseguido resolver um dos maiores enigmas da arqueologia: a origem da família indo-europeia de idiomas. Ela inclui o português, o inglês e muitas outras línguas europeias, bem como o persa, o hindu e outras. Apesar da importância do grupo, os especialistas até hoje não conseguem concordar sobre sua origem.

Linguistas acreditam que os primeiros a falar a suposta “língua-mãe”, chamada de proto indo-europeu, eram pastores nômades e guerreiros que saíram de sua terra natal, as estepes ao norte do Mar Negro, há 4000 anos, e conquistaram a Europa e a Ásia.

Uma teoria rival diz que, ao contrário, os primeiros a falar o indo-europeu eram a fazendeiros pacíficos na Anatólia, hoje na Turquia, há cerca de 9000 anos, que disseminaram sua língua pela enxada, não a espada.

O novo integrante do debate é o biólogo evolucionista Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Ele e sua equipe analisaram o vocabulário atual e o alcance geográfico de 103 línguas indo-europeias e com a ajuda de computadores, recalcularam seus passos até sua origem mais estatisticamente provável.