As diferenças entre o galego e o português são várias, podendo estas ser encontradas na fonética, na morfologia, na sintaxe, na ortografia e no léxico. Uma parte destas diferenças resultam do acastelhanamento ao longo dos séculos em que este foi proibido como língua culta, os chamados Séculos Escuros.

Contudo há que salientar que a semelhança com o português resultam numa divergência de opiniões quanto à sua classificação como línguas separadas, havendo vários linguistas que as consideram a mesma língua, tanto galegos quanto portugueses, e outros que a consideram línguas distintas.

As diferenças

As diferenças pertencem principalmente ao terreno da fonética:

Inexistência na maioria das falas galegas de sibilantes sonoras ([z] e [ʒ])[3](embora existam em zonas do exterior e no Xalimego).

No galego não há oposição entre vogais orais e vogais nasais (embora presentes em zonas do galego da província de Leão) o galego nasaliza as vogais em contato com nasal, mas isso não faz distinção fonética.

No resto de diferenças fonéticas, já são as mesmas que nos dialectos portugueses setentrionais: pronúncia de “ch” como “tch”, confusão b/v, pronúncia clara dos ditongos oi/ou (com hesitação como no padrão: loiro / louro), etc.

O tratamento da nasalidade é variável nas falas galegas, com diferente evolução que nos dialectos portugueses; assim, as três terminações do galego-português:

-ão
-am/-ã
-om/-õ

deram lugar em português ao ditongo nasal -ão, enquanto em galego sofreram evoluções diversas:

-ão→án /-ao irmán (dialectalmente irmao) (= irmão)
-ãa→á / -án irmá (dialectalmente irmán) (= irmã)
-am→an/-a ra (dialectalmente ran), (= rã)
-om→ -on razón (=razão)

plurais: -ões→ -óns / -ós / -ois razóns, (dialectalmente razós e razois) (= razões)

Veja-se que hesita entre manutenção da nasalidade através duma monotongação (irmão > irmán, em geral a oeste) ou manutenção do ditongo através da desnasalação (irmão > irmao, em geral centro e leste). Contudo, há pequenas áreas onde ainda existem vogais e ditongos nasais (leste).

Outras diferenças entre as variantes comuns não são porém aplicáveis ao conjunto das falas:

No galego existe o chamado ditongo indoeuropeu [carece de fontes], “ui” ou “oi” que substitui o “u” tónico latino no português luso-brasileiro (existe, contudo, a nível dialectal em Portugal).

Froito ou Fruito (= Fruto)
Loitar, loita ou Luitar, luita (= Lutar, luta)
Escoitar ou Escuitar (=escutar)

Estes ditongos são realmente etimológicos, fructu > fruito, luctare > luitar, auscultare > ascoltare > escoutar > escoitar > escuitar (análogo a multu > molto > mouto > moito > muito), a sua perda em padrão é devida a relatinizações na Idade Moderna (séculos XVI-XVII), “luctar, “fructo”, quando c- deixou de se pronunciar. Um caso comum a ambas línguas aqui analisadas é “acto“, originalmente actu > auto (auto-da-fé), mas foi relatinizada a “acto”.

Em galego conserva-se o pronome arcaico “che” que alterna com o “te”, é um pronome de complemento dativo. Sua função é análoga à do pronome “lhe” do português, mas é utilizado com a segunda pessoa do singular.

Collerche as mans = “Colher-te as mãos”

Também é conservado o plural “llelos” (lles+os), e não a forma comum do padrão português (lhos).

O galego mesmo conserva agrupamentos de pronomes enclíticos, devido à existência dum “pronome de solidariedade” (non cho teño = “não to tenho”, “não tenho isso que queres”).

Mudanças nas conjugações verbais.

Eu son (= Eu sou)
Vós sodes (=Vós sois)
Eles son (=Eles são)
Eles falaron (=Eles falaram)
Eu fun (=Eu fui, o galego nasala sistematicamente as primeiras pessoas dos antepretéritos: collín =colhi, estiven = estive, daí fui > fuin > fun)

Arcaísmos

A comparativa “ca” ([do] que), do latim qua > ca, é seguido do pronome dativo e não do pessoal: máis alto ca min = “mais alto que eu”

Castelhanismos no galego

Inúmeros, sobretudo em vocabulário técnico ou exótico. Isto é devido à situação de diglossia galego/castelhano na Galiza.

Castelhanismos no português

Certas palavras de origem castelhana foram introduzidas no português, enquanto a forma originária foi preservada no galego, assim: penha, repolho, castelhano, menino, frente às correspondentes galegas pena, repolo, castelán, meniño.

Referências: 

Alfredo Maceira Rodríguez. «Galego e português modernos: Um estudo comparativo»
José Luís Fontenla. «A língua portuguesa na Galiza».